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Manifesto anti-sonhos

9 October, 2008 (16:05) | Cléber, Cristianismo, Diversos | By: Admin

<09/09/08,11:30 - 10/09/08,1:00>

Sonhos, sonhos e mais sonhos. Todos têm falado em sonhos. Você é inteligente e esperto o suficiente para saber o porquê ou, pelo menos, tentar descobri-lo?
Indo direto ao ponto: essa besteira de “sonhos” é mais um dos remendos que o neo-modernismo precisa para manter-se minimamente íntegro. É surpreendente que pessoas que criticam o consumismo, o hedonismo e o vício do entretenimento possam falar em “sonhar”, pois esse último item é apenas mais um na lista anterior.
Por que fala-se tanto em sonhos? “Não desista dos seus sonhos”, “não enterre seus sonhos”, “ouse sonhar” e, até (misericórdia), “sonhe os sonhos de Deus” são frases bastante comuns na atualidade. Sinto-me enojado com elas. Elas são uma demonstração de ingenuidade, fraqueza e falta de caráter.
Sonhar demonstra ingenuidade porque sonhar com algo é inútil. Ter objetivos é razoavelmente útil. Sonhar não. Quem traça um objetivo, por maior que seja e contanto que isso seja feito da maneira certa, espera cumpri-lo e, depois disso, partir para o próximo objetivo. Além do mais, objetivos mudam, porque são raros os casos em que os objetivos traçados são considerados “sagrados”, ou seja, são raros os casos em que mudar o objetivo seja considerado uma traição, uma derrota ou um sacrilégio.
Sonhar é inútil. Com o que você sonha? Com um carro legal e uma casa legal? Com um grande amor? Com um prêmio Nobel? É bem provável que você não veja seu sonho tornar-se realidade. Por quê? Porque a vida vai nos mudando. Porque a vida é injusta. Porque as pessoas morrem. Isso não é tão terrível ao tratar-se de objetivos.
Sonhar é dispensável. Você pode alcançar coisas espetaculares sem sonhar com elas. Sucesso profissional, conhecimento, amizades, amor, longevidade, você pode desfrutar de tudo isso sem passar a vida dizendo que sonha com qualquer dessas coisas.
Sonhar é enganoso. E você só descobre isso depois que alcança ou chega perto de realizar seus sonhos. Muitos que sonharam graduar-se descobriram que o diploma nem é tão bom assim - no fim das contas, ele é um certificado de perda da carteirinha de estudante. Muitos que sonharam com um grande amor não esperavam que o amor ficasse como ficou: grande (casamento engorda, é fato). Além disso, manter os olhos firmes no sonho pode impedir que você veja outras coisas muito melhores e mais interessantes que o dito cujo do seu sonho. E perder excelentes oportunidades por causa disso é mais freqüente do que você pensa.
Sonhar é ainda mais enganoso que isso. Raros são os sonhadores que admitem que se decepcionaram profundamente quando viram seu sonho tornar-se realidade. Raros são os que admitem que, por ter olhos apenas para os sonhos, ficaram cegos para tudo o mais. Raros são os que admitem que seus sonhos nunca se realizaram de fato: eles apenas foram ficando maiores. A graduação deu lugar ao mestrado, que deu lugar ao doutorado. A mansão deu lugar ao castelo, que deu lugar à ilha. O grande amor deu lugar à manutenção do tal amor para toda a vida.
Assim, sonhar é decepcionante, realizando-se ou não os tais sonhos.
Sonhar é demonstração de fraqueza porque eles são um vício. Veja quão patético é dizer-se movido pelos sonhos. Viver a vida para realizar um sonho é ser um escravo de um senhor egoísta e caprichoso. E é bom você fazer essas perguntas a si mesmo: “vivo minha vida em função dos meus sonhos?” e “se eu me desfizer deles, restará algo?”. Poucas são as pessoas que podem desfazer-se dos sonhos e manter-se em pé. Você viu como os sonhos são produto do pós-modernismo? Ora, o humanismo prega que o homem é obra do acaso e que, no fim, não vai para outro lugar senão a sepultura. Não havendo um Deus Criador nem um propósito para a existência, a que nos apegaremos? Cada homem escolhe. Em geral, há uma mistura de “motores”, e os mais freqüentes são entretenimento e sonhos.
O entretenimento ajuda a suportar a agonia terrível da passagem do tempo. Pense: uma hora vivida é uma hora a menos na contagem. É fato: estamos todos morrendo. Por isso ninguém quer ficar sem entreter-se. E isso torna-se um deus de dimensão tão grande que as seqüelas dessa deterioração vêem-se muito claramente. Por que você acha que as pessoas não gostam de trabalhar? Trabalho atrapalha o entretenimento. Por que você acha que ninguém suporta os velhos ou os doentes? Porque eles atrapalham o entretenimento.
Mas o assunto em questão é outro: sonhos. Você sabe porque o sonhar é tão valorizado entre as pessoas? Porque sem isso, muitos, simplesmente, desistiriam da vida. Ora, responda à pergunta: o que, entre tudo o que fazemos, permanece valioso em face da morte? Pese tudo o que você faz na sua vida de acordo com essa balança. Olhe para as coisas sob esse novo ponto de vista: isso é persistente, isto é, isso faz algum sentido depois que eu atino para o fato de que vou morrer?
Bem, para o homem sem Deus e em Cristo no mundo, não resta nada. E é muita estultícia de alguém pensar que alguma grande obra sua, que seja lembrada por muitas pessoas, amenize a questão. Você, em breve, estará morto! Se haverá, sobre a face da terra, uma legião de adoradores seus, não fará a menor diferença, pois você estará tão absolutamente morto quanto estaria se fosse relegado ao esquecimento completo.
Por isso sonhar demonstra tanta fraqueza. Os sonhos são o ópio da sociedade pós-moderna. Fiz questão de mostrar como os sonhos são demonstração de ingenuidade para que você pudesse perceber quão fraco é o homem que apoia-se neles para manter-se em pé.
Alguém, certamente, dirá, achando-se muito inteligente: “quem não sabe para onde vai, não chega a lugar nenhum”. Eu espero que esse não seja o seu caso, caro leitor. Você não é tão cego a ponto de aceitar como verdadeiro um dito tão sem sentido. Ele é absolutamente estúpido! Nunca diga “sim” a besteiras só porque elas parecem belas e profundas. O certo é dizer: “quem não sabe para onde vai, fica feliz com qualquer lugar onde chegue” e “quem não anda não chega a lugar nenhum”. Pronto. Quem anda sem saber para onde vai chega, sim, a algum lugar. E eu acrescentaria “e ainda curte a paisagem”.
Sonhar demonstra falta de caráter. E isso é, de fato, outra seqüela do pós-modernismo. Pense: que tipo de moral pode haver num homem sem Deus e sem Cristo? Se é pregado que somos frutos do acaso, que nossa vida não tem um propósito definido e que não existe um Deus Criador, um Juiz, Céu ou Inferno, o que é que define a moral? A lei? O ambiente?
Por isso sonhar é considerado tão importante. Porque é por causa dos sonhos que as pessoas, que vivem vidas tão escassas da noção de propósito e significado, dão o melhor de si. O jogador de futebol sonha em ser contratado por um grande clube. Então ele dá o melhor de si e sua a camisa em prol dessa causa. A mulher sonha em encontrar um grande amor. Então ela come direito, faz exercícios físicos regularmente, mantém-se sempre arrumada esperando que seu grande amor apareça (e tudo isso mostre seu valor e cumpra seu propósito). O homem sonha em ser gerente de uma multinacional. Então ele, começando como simples empregado, esmera-se ao máximo ao desempenhar suas tarefas, faz tudo corretamente e cheio de vontade para poder ver seu sonho realizar-se.
Isso tudo demonstra a falta de caráter das pessoas. Caráter. Você sabe o que isso significa. O jogador de futebol não deveria precisar de um sonho para dar o melhor de si. Basta ter caráter. Mesmo que ele ganhasse uma tatuagem na testa que impedisse-o de ser contratado por qualquer clube grande durante toda a sua vida, tendo caráter, ele manteria o padrão elevado. Mas, não havendo um Deus Criador e Juiz, não há caráter. A mulher de caráter deveria comer bem, praticar exercícios físicos regularmente e manter-se bem arrumada mesmo que, por algum motivo, nunca pudesse relacionar-se com o sexo oposto. Mas, não havendo um Deus Criador, ou seja, não existindo um propósito e um significado na existência, é necessário algum conceito-motor substituto, mesmo que seja frágil como os sonhos. Um homem de caráter não precisa sonhar em ser gerente para esmerar-se ao máximo em suas tarefas. Mas, não havendo um Deus Criador, do qual somos imagem e semelhança, e que há de julgar os vivos e os mortos, não há um motivo razoável para tanto empenho.
É claro que há demonstrações dessa qualidade que chamo de caráter em homens incrédulos. Mas, em última análise, esses traços de caráter são extremamente frágeis. Eles não têm um fundamento sólido o suficiente para manterem-se firmes depois de uma bateria de “porques” ou mesmo da oferta de algum preço.
Veja, essa história toda de sonhos é a forma inversa de se fazer as coisas. O homem deseja intensamente um punhado de coisas e molda seu caráter para atingi-las. E é por isso que os sonhos são tão enganosos. Ora, não é de se esperar que as coisas funcionem se são feitas da forma inversa. É como jogar farinha e ovos numa frigideira com um pouco de óleo para depois de um tempo jogar aquilo numa vasilha e tentar misturar tudo. Você não conseguirá fazer panquecas dessa forma!
Ora, uma vez que nossa sociedade pós-moderna é recheada de conceitos humanistas, é natural que valorize-se tanto a questão do sonhar. Até certo ponto, eu fico feliz com isso. Que Cartago não seja destruída! Pois, se as pessoas não sonharem, que lhes restará? Se Deus não existe e se minha vida é fruto do acaso, se não há um Criador e minha existência não tem propósito, por que eu colaboraria para “o bem da sociedade”, se não para alcançar algum objetivo? No fim das contas, por que continuar vivendo se não para ver algum sonho tornar-se realidade?
“A ignorância é o menor caminho para a felicidade”. Isso faz sentido. Certos indivíduos sofrem de crises existenciais terríveis não por terem algum outro problema que não o de refletir sobre a vida. Se outros não sofrem disso é, simplesmente, pelo motivo de não pararem para refletir. E sabe por que não param nem refletem? Simples: porque a vida está repleta de entretenimento e sonhos! Ou consumismo. Ou outros vícios.
Vícios! A palavra é justamente essa. Todo vício tende a progredir. O fumante vai fumando cada vez mais. O viciado em internet passa cada vez mais horas preso a seu computador. O bêbado vai bebendo cada vez mais, tanto por adquirir certa resistência, quanto pela intrusividade do vício. Vícios se alastram. Como a doença alastra-se pelo corpo, o vício alastra-se pela vida duma pessoa. Você sabe do que estou falando. E tirar o entretenimento, o consumismo ou os sonhos de um típico cidadão pós-moderno é como tirar o cigarro do fumante. Há uma crise de abstinência.
Sonhar não é necessário para o homem que teme a Deus. Primeiramente, porque ele não busca sua própria felicidade nesse mundo.

“Não pergunteis, pois, que haveis de comer ou que haveis de beber, e não andeis inquietos. Porque os gentios dos mundo buscam todas essas coisas; mas o vosso Pai sabe que necessitais delas. Buscai, antes, o Reino de Deus, e todas essas coisas vos serão acrescentadas. Não temas, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o Reino.” (Lucas 12:31)

Lembram do novo ditado: “quem não anda não chega a lugar nenhum”? Pois bem, o fato é que o que é nascido de novo tem como situação padrão o caminhar. Ele não precisa de um objetivo para andar, porque andar faz parte de sua natureza. Ele não precisa de um sonho para dar o melhor de si, manter-se saudável e bem apresentável e desempenhar suas tarefas com esmero. Com sonho ou sem sonho ele o faz, porque é natural fazer isso. Por isso essa tagarelice de sonhos é meter os pés pela mãos. Moldar o caráter para alcançar objetivos não é como deveria ser. Caráter firme tem boas conseqüências. Simples assim.
Portanto, parem com esse lero-lero de sonhos. Você pode viver sem eles. Você pode até alcançar coisas muito melhores vivendo sem sonhos. E, se você não consegue imaginar-se sem eles ou discorda do que eu disse, eu repito: você é ingênuo (porque os sonhos são inúteis, dispensáveis e enganosos), fraco (porque você vive em função de algo inútil, dispensável e enganoso e isso é o melhor que você consegue fazer) e seu caráter é tão firme quanto uma paçoca.
Mas não, eu não estou dizendo para você largar mão de tudo. Se você chegou a pensar que eu sou um apologista do homem-vegetal é porque você ainda não é capaz de livrar-se dessa coisa de sonhos. Você pode pensar que o homem que não sonha é apático, mas a realidade é exatamente o oposto. O homem que conforma-se a Cristo e tem, dessa forma, uma base sólida para seu caráter, é o tipo mais vivo e dinâmico de pessoa.
O homem sem sonhos não traça um caminho. Mas o homem com caráter não anda em círculos. O homem sem sonhos não tem um sonho para sentir-se satisfeito ao ver realizado. Mas o homem com caráter está sempre satisfeito - “quem não sabe para onde vai, fica feliz com qualquer lugar onde chegue, e ainda curte a paisagem”.
Não sei para onde vou. Não quero traçar caminhos na minha vida.

“Senhor, tu me sondaste e me conheces. Tu conheces o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento. Cercas o meu andar e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos. Sem que haja uma palavra na minha língua, eis que, ó Senhor, tudo conheces.
Tu me cercaste em volte a puseste sobre mim a tua mão.
Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta que não a posso atingir. Para onde me irei do teu Espírito ou para onde fugirei da tua face?
Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que Tu ali estás também; se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá.
Se disse: decerto que as trevas me encobrirão; então, a noite será luz à roda de mim.
Nem ainda as trevas me escondem de Ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa. Pois possuíste o meu interior; entreteceste-me no ventre de minha mãe.
Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.
Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe, e no teu livro todas estas coisas foram escritas, as quais iam sendo dia a dia formadas, quando nem ainda uma delas havia.
E quão preciosos são para mim, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grande é a soma deles! Se os contasse, seriam em maior número do que a areia; quando acordo, ainda estou contigo.
Ó Deus! Tu matarás, decerto, o ímpio! Apartai-vos, portanto, de mim, homens de sangue. Pois falam malvadamente contra Ti; e os teus inimigos tomam o teu nome em vão.
Não aborreço eu, ó Senhor, aqueles que te aborrecem, e não me aflijo por causa dos que se levantam contra Ti? Aborreço-os com ódio completo; tenho-os por inimigos.
Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.” (Salmo 139).

Não traçar um caminho não é o mesmo que não andar.

Novo livro lançado: As Boas Novas

4 September, 2008 (19:41) | Cléber, Cristianismo, Livros, Meus | By: Admin

Com essa correria toda de migração e separação de sites, acabei esquecendo de publicar o lançamento do meu segundo livro aqui - justo onde é o lugar certo para tratar disso.

Clique aqui para baixá-lo.

Como saber em que escala solar

1 September, 2008 (13:26) | Música | By: Admin

Clave de sol

Essa é a grande dificuldade de muitos guitarristas ou outros instrumentistas. Pois bem, decidi dar uma mão para vocês. O artigo está aqui.

Tablaturas das escalas maiores e menores

31 August, 2008 (19:26) | Música | By: Admin

Se você quer praticar a digitação das escalas maiores e menores, clique aqui.

Como comportar-se como um bom guitarrista translated

26 August, 2008 (13:45) | Notícias, site | By: Admin

Yeah! Agora vou concentrar meus esforços para ganhar uns visitantes internacionais. Já traduzi parte do “como comportar-se como um bom guitarrista”, e em breve traduzirei as lições de teoria musical.

Está vivo! Mwahahaha!

23 August, 2008 (00:03) | Notícias, site | By: Admin

Aconteceu: agora a CléberCo tem seu próprio site. Seja bem-vindo!