CléberCo

A companhia que presta

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Deus em segundo plano

Ah! Quão mesquinhos somos nós! Quem poderá livrar-se da acusação de relegar o próprio Deus ao segundo plano em sua vida? Sim, nós o negamos. Será que um dia poderemos falar como Davi, que desejava habitar na casa de Deus todos os dias de sua vida? Mas nós deixamos de vigiar, e nos entretemos com as coisas desse mundo. Sim, estamos comendo e bebendo, casando-nos e dando-nos em casamento. E há algum erro em tudo isso? Sim! Quem nunca ouviu “buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e as demais coisas vos serão acrescentadas”? Mas nós somos egoístas. Porque queremos que nossa vida seja nossa, e, embora aceitemos nos curvar perante o Senhor, fazemo-lo quando nos apraz. Quando não convém, firmamo-nos e seguimos em frente, e fazemos Deus esperar. Aparentamos maturidade espiritual, porém, no mais profundo da alma ainda permanece o desejo de ver-se livre dos olhos do Senhor por alguns minutos, para podermos agir conforme nossa antiga natureza. Nosso querer é dúbio. Como confiaremos em nosso coração enganoso? Pois ardentemente desejamos conhecer a Deus cada vez mais, e ardentemente desejamos manter-nos estagnados, porque mais maturidade acarreta mais responsabilidade. Quanto tempo permanecemos de joelhos em oração? Seria isso realmente importante? Não nos parece, por mais que neguemos, que uma vez em pé, vivemos nossa vida e Deus a dele? Não sentimos que daí em diante estamos no comando? Mas bendito seja Deus, porque ele nos refina com fogo. Sim, ao que não se dobra ele quebra as pernas, e os joelhos, agora desconjuntados, podem finalmente dobrar-se. E quem poderá murmurar? Seríamos como crianças que só querem comer balas e pirulitos. Nossas mães foram más ao dar-nos comida de verdade? Que diremos do Senhor, que nos repreende e corrige para nosso próprio bem? Não, querer não é poder. E quem quereria o crescimento, se o próprio desejo não fosse fortemente estimulado pelo próprio Deus? Como controlaríamos nosso desejo sempre ambíguo? Pois queremos e não queremos e apegamo-nos fortemente àquilo que renunciamos. Só Deus pode mudar o homem. Eu não tenho poder para mudar-me. Que o Senhor tenha misericórdia de nós, e nos dê o desejo de buscá-lo constantemente. Que nossa oração não termine no abrir dos olhos, mas que vivamos consciente de que Ele sempre nos vê, e que não está parado, mas trabalha por nós, dia e noite. Nossa agenda não pode ser baseada em nós. Doutro modo voltaríamos a deixar Deus em segundo plano. Nosso tempo com Deus deve ser prioridade. Mas o homem é vil e egoísta. Sim, ele pensa nisso como exagero. Mas não o é. Seria exagero dedicar todo o nosso tempo ao Deus que nos dá a vida? Pois quem pensa nisso como exagero, não está pronto para o céu. Se as coisas de Deus não são para ocupar todo o nosso tempo, então o céu é o lugar mais horrendo possível. No mínimo, é entediante. Mas glória a Deus, porque experimentamos a Verdade. Não apenas a compreendemos, mas, mesmo aqui na terra ele nos dá uma demonstração da sua glória, e podemos apreciar por um breve momento as delícias celestiais. Sim, Ele interage conosco. Não estamos relegados a uma existência mórbida, aguardando por um destino do qual nada conhecemos. Podemos experimentar aqui, em menor proporção, as coisas futuras. Mas nossa memória é curta demais, e nossa atenção é facilmente baixada para a terra, onde nossos afazeres, nossos bens, nossos afetos, tiram nossa atenção dos céus. Mas não nos separamos dessas coisas. Pelo contrário, devemos dar graças a Deus por todas essas coisas. Viver no deserto, afastado de tudo, faria algum bem? De modo algum. Pois só o que a carne pode fazer é tirar isso tudo de nossas mãos. Mas, glória a Deus, o Senhor é poderoso para tirar isso de nosso coração, de modo que podemos possuir sem sermos possuídos. Pois como poderíamos novamente ser escravos? Somente pelo engano, pois devemos sempre estar cientes que reinamos com Cristo nas regiões celestiais. E por que falamos disso tudo? Por que os crentes são incentivados a conhecer a Palavra e a perseverar na fé? Porque é o que temos nas nossas mãos. Nõ manuseamos o capacete da salvação, nem a couraça da justiça. Tentaríamos tornar alguém “mais salvo”? Tornaríamos a justiça mais reta, ou a Verdade mais verdadeira? Mas precisamos erguer o escudo da fé para apagarmos todos os dardos inflamados do Maligno. E como são rápidos e sutis esses dardos! Um breve momento de desatenção, e somos atingidos por um deles, e logo deixamos de dar a devida importância às coisas do Senhor, e distraímo-nos com os afazeres terrenos. Nosso descanso ainda não chegou. Cristo nos chama a batalhar! E quanto mais crescermos, mais perto do front estaremos. E isso jamais pode levar alguém à estagnação. Cristo tem sua tropa de indivíduos. Aquele que não quer lutar, Ele o põe mais à frente, para ganhar experiência de combate. Como dormiríamos durante a batalha? Deixaremos a Espada para pegar o telefone? Largaremos por um pouco do Escudo, para poder dirigir? De modo algum! Devemos gastar tempo conosco, sim! Eu e Deus, usando o tempo para meu crescimento, para sua glória. Que passemos o tempo todo com a mente na batalha. Não acumulemos um tesouro aqui, pois a traça e a ferrugem o corróem, e os ladrões minam e roubam. Se mantivermos os olhos nas coisas que são de cima, ajuntaremos um tesouro no céu, onde não há traça, nem ferrugem e nem ladrões. Que o Senhor mostre-nos seu poder e, seja pelo meio que for, nos dê condições de amadurecermos. Gastemos o nosso tempo com as coisas de Deus.

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