Avaliação da Crafter Convoy CT
Atualmente (2007) eu tenho uma guitarra Crafter Convoy CT azul. É uma guitarra muito boa. Na verdade, é uma das melhores que eu já toquei.
Esse é o tipo de guitarra que não tem medo de amplificador. Se você tentar, por exemplo, ligar uma guitar barata num ampli bacana, haverá uma disparidade absurda. Com essa Crafter isso não acontece. Na verdade, se você ligar ela num ampli ruinzinho, aí é que haverá uma disparidade.
Aparência
Não cheguei a ver o modelo vermelho, mas o azul é bem, digamos, violento. Não é o tipo de azul calmo, pacífico. É um azul azulão mesmo. Mal dá para ver os desenhos da madeira se não houver luz em abundância. Confesso que me assutei com isso no começo, mas agora já me acostumei.
O “tema” de cores é azul e preto, com detalhes cromados. A escala é escura, e o capotraste, os apoios dos captadores e os botões são pretos. As tarrachas, os trastes, os captadores e a ponte são cromados. As bolinhas da escala não são brancas nem madrepérola. São daquele material meio esverdeado bonito que eu não lembro o nome.
O desenho da guitarra é o mesmo das Paul Reed Smith, que parece uma mistura de strato com Les Paul. É mais bonito que ambos.



Construção e acabamento
O braço e o corpo são de mohgany, que é “mogno não brasileiro”. O braço é de uma peça só com a mão, e é colado no corpo.
A pintura é bem caprichada, sem bolotas, escorridos ou excessos.
Já vi gente reclamando do capotraste. Não vejo nada de errado com ele.
Um dos aspectos mais legais é o jack de saída. Ele “prende” o plugue, de forma que você precisa fazer força para colocar ou tirar (no primeiro dia, eu não percebi isso e achei que ele ficava meio solto, hehe). Além disso, ele fica apontado para cima, o que facilita a vida de quem passa o cabo pela alça. Eu deixo o cabo solto, e essa posição do jack ajuda e evitar que o cabo fique bem na mira do meu pé.
Som
O som é médio-grave, como é de se esperar duma guitarra feita quase toda de mohgany. O braço colado e a ponte fixa dão um sustain impressionante. Em certos casos é absolutamente inviável bater algo, por exemplo, no fim da música, e “deixar morrer”! Você esperaria alguns minutos até acabar…
Os captadores de alnico tem um som mais aveludado, mais suave. Eu tentei instala um Spanich cerâmico, e ficou com um som horrendo, seco, elétrico…
Se você gosta de solos com agudos estridentes, é melhor não comprar uma dessa. Até as notas agudas saem meio médias…
Problemas
A ponte é de um modelo totalmente diferente das “normais”. Você não coloca a corda num orifício, você passa ela por baixo da ponte. Isso é bem esquisito, e demora um pouco para se acostumar.
Só há um botão para o tom e um botão para o volume. Isso, às vezes, é um fator limitante, embora ajustar o volume num botão só seja até legal.
Conforto
O corte nos chifres é muito bom, além do braço ser colado, pois você alcança sem muito esforço as últimas casas.
Aquela área que encosta no corpo (no meu caso, na altura do diafragma. Em outros casos dá no peito, e, em outros - acreditem - na coxa!) não tem aquele corte esperto que as strato têm. Não que isso incomode. Uma Les Paul de bordas com 90 graus é muito pior. O mesmo vale para aquela parte em que a gente deixa o braço. Mas isso tudo não chega a incomodar. Como eu disse, as Les Paul são muito mais desconfortáveis.
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