O Sermão do Monte
9 de novembro de 2007
O Sermão da Montanha (Mateus 5-7) sempre foi, de certa forma, problemático para mim. Sempre que o lia, ou sempre que algum pregador ou professor abordava o assunto, eu via as bem-aventuranças como um ideal de vida que Jesus ensinava. Era como se ele dissesse: “você deve ser pobre de espírito”, “você deve ser manso”. Mas não é isso que está sendo pregado. Jesus estava tratando com a situação atual das pessoas. Ele diz “bem-aventurados os que estão chorando”, “bem-aventurados os que, aflitos com esse mundo corrupto, tem fome e se de de justiça”.
Até ao falar dos mansos, dos misericordiosos e dos puros (ou limpos) de coração, Jesus fala da situação atual. Essa é uma mensagem de esperança para eles. Talvez não haja recompensa nesse mundo para eles. Os mansos sempre sofrem prejuízo, geralmente em favor de outrem. Os misericordiosos também, e ainda são escarnecidos. Os puros sofrem constantes ataques do Maligno, e ainda têm de contemplar a maldade operante no mundo que os cerca. A situação de todos eles não é difícil? Ora, Jesus lhes mostra, então, a esperança do prêmio que virá.
As bem-aventuranças são, acima de tudo, uma mensagem de esperança. Jesus não faz nenhum tipo de apologia ali, e nem poderia. Ele não pede para que nos esforcemos para sermos injuriados pelo seu Nome. Ele não pede que tenhamos fome e sede de justiça, nem nos pede para chorar. O alvo de sua mensagem não é as pessoas que não se encaixam nos casos apresentados.
No verso 13 isso é mostrado claramente. Ele diz: “vós sois”, e não “sejam o sal da terra”. É errado inferir desse texto algum tipo de incentivo ou obrigação. Jamais podemos usar esses versos para dizer o que os crentes devem ser, pois os crentes já o são. Nós somos o sal da terra, e somos a luz do mundo. Seria absurdo ou, no mínimo, redundante dizer para um crente ser a luz do mundo. Se ele é crente, ele é luz. Se ele é crente, ele é sal. Essa é a vida normal do que é nascido do Espírito.
Quando Jesus, no verso 13, fala sobre a insipidez do sal, ele ainda tem em mente o que disse o verso 11. É como se dissesse: “vocês serão perseguidos por serem sal, por isso, quando acontecer, fiquem felizes, pois isso mostra que estão fazendo o que deveriam”. Todos os versos, desde o 12 até o 16, estão relacionados ao verso 11.
No verso 38 Jesus dá uma lição muito interessante. Isso está relacionado com Romanos 12:2: “e não sede conformados com esse mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento”. O mundo espera um certo comportamento dos mundanos. Se alguém agredir um homem sem Deus, é claro que espera que o mesmo revide. Mas não é assim com os crentes. Eles não se comportam como os homens do mundo esperam. Eles têm atitudes diferentes, inesperadas.
“Não sede conformados, mas transformados”, Paulo diz. Ele simplesmente sintetiza o ensino de Cristo. Não somos como os mundanos. Não temos a forma do mundo, mas a forma de Cristo. Em Filipenses 4:10 Paulo diz: “sendo feito conforme à sua morte”. Repare na crase! Sem ela o texto perde o sentido. Paulo diz: “sendo moldado de acordo com sua morte”, “tomando a forma de sua morte”. Quando alguém “resiste ao mal”, está agindo como um homem carnal. Por isso devemos nos amoldar à morte de Cristo. Essa é a morte do ego, a morte que nos livra das reações e atitudes típicas do homem natural, e nos leva a agir conforme Cristo, que “sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz” (Filipenses 2:6-8).
Comentários recentes