Sola Fide
Esse é um dos estudos que eu dei em série, a respeito dos 5 “solas” da Reforma, por ocasião da comemoração da mesma em 31 de outubro de 2007, na Igreja Presbiteriana Filadélfia.
* Só Fé
Só Graça
Só a Escritura
Só Cristo
Só a Deus Glória
Introdução
Como crentes somos sempre orientados, tanto pela Palavra quanto por nossos irmãos, a viver uma vida íntegra diante de Deus. Entretanto, muitos associam a integridade e a salvação de maneira errada. Vejamos uma interessante ilustração:
Um certo crente tem um vizinho que possui um pé de manga. Sempre que as mangas estão maduras esse vizinho as colhe e lhe dá algumas. As mangas são muito suculentas e bem doces.
Esse vizinho é japonês, e, num certo dia, ele avisa que precisa viajar, justamente na época em que as mangas começam a ficar maduras. Mas, esse ano, ele vai usar uma técnica muito importante na árvore (chamada numtô-kaí), cujo sucesso depende de que nenhum fruto seja colhido. Ele também pede a esse certo crente que cuide da árvore para que ninguém suba nela pegar as mangas.
E assim passam-se os dias. Cada vez que nosso amigo crente sai de casa ele vê aquelas mangas, maduras, suculentas e bonitas. Então ele diz: “não posso comê-las”. Mais dias passam e as mangas estão mais maduras e mais bonitas. E ele repete com firmeza: “não posso comê-las”.
Mas um dia ele se cansa disso e, não podendo resistir ao desejo de comer uma daquela mangas deliciosas, sobe na árvore em busca de uma. Descuidado, dado seu desespero, assim que consegue arrancar um fruto acaba caindo no chão. Ao cair, esse nosso infeliz amigo bate a cabeça numa pedra e morre.
Então fica a pergunta: para onde ele vai? Céu ou inferno?
O que é “justiça”?
Há, basicamente, duas definições para a palavra justiça. A primeira é a justiça manifesta nos “atos de justiça”. É a justiça feita à causa do inocente, a justiça que pune o culpado, a justiça que protege o homem indefeso de seu opressor. Essa é a justiça como um conceito, uma abstração.
A segunda definição coloca a justiça como uma espécie de adjetivo, uma propriedade ou qualidade. Trata-se de algo de que o homem pode apropriar-se. A justiça é, então, o “nada consta”, a ficha limpa. Podemos dizer que estamos andando livres por aí, sem medo da polícia, por exemplo, devido à nossa justiça, pois, diante da lei dos homens, não cometemos nenhuma infração.
Esse conceito é bem familiar. O homicida, por exemplo, não tem essa justiça: ele cometeu um crime, portanto, deverá ser condenado.
Ou seja, os dois conceitos de justiça são:
-A justiça que se executa.
-A justiça que se possui.
O pecado e o sangue
Gênesis 9:4-6 — sangue pelo sangue.
Levítico 17:10-11 — é o sangue que fará expiação pela alma.
Hebreus 9:22 — sem derramamento de sangue não há remissão.
Vemos, pois, que o derramamento do sangue servia para expiar o pecado, ou seja, para afastar a ira de Deus. Entretanto, não era esse sangue, em si, que poderia pagar o preço pelo pecado. Lembre de Gênesis 2:17: “certamente morrerás”, e Romanos 6:23: “o salário do pecado é a morte”. O sangue dos sacrifícios era puramente simbólico, afastando a ira do Senhor até o tempo em que Cristo experimentaria a morte em lugar do homem.
Hebreus 10:1-23.
Isso é muito importante: o sangue dos sacrifícios do Velho Testamente não era capaz de remover pecados! “Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados”!
Pecado e morte
Todo pecado será punido. Deus decretou a morte como punição pelo pecado. Ora, a morte é a separação completa de Deus. Assim, os incrédulos serão jogados no lago de fogo, separados completamente de Deus. Os crentes, porém, jamais poderiam ser condenados, pois Cristo já pagou esse preço por eles.
Gênesis 2:16-17 — no dia em que dela comerdes, certamente morrerás.
Isaías 53:10-12
Romanos 5:11-21
Romanos 8:31-34
Portanto, vemos que a justiça do crente não reside em nada que não seja o sacrifício de Jesus Cristo.
Manutenção da salvação
Gálatas 2:16 - 3:3
A manutenção da salvação é divina, e não está nas mãos do homem. Não é a vida íntegra do crente que o “mantém salvo”.
Então quer dizer que podemos pecar à vontade? Não.
Romanos 6.
1 João 3:6-9.
Conclusão
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Efésios 2:8).
“Quem crê nEle não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (João 3:18).
“Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” (João 3:21)
Jamais podemos pensar que somos salvos porque cremos em Cristo e porque vivemos uma vida reta. Somos salvos pela graça, mediante a fé, e ponto final.
Leituras complementares
Atos 13:37-39;
Gálatas (todo o livro, mas especialmente o capítulo 3);
Romanos 1-8;
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